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2020

  Últimos dias do ano e estamos todos, ou a maioria de nós, envoltos numa capa de bons sentimentos, típicos do período festivo de natal e virada de ano. Só que esse ano... Que ano! Vamos deixar o clichê que só dura uma semana de lado e refletir à vera, sem capas. 2020 não existiu. O ano começou e terminou, aconteceu tão bruscamente que a gente nem teve como se recuperar do baque angustiante que ele foi. Não é à toa que existe hoje uma pandemia de depressão. E não é só pelo isolamento social, até porque muita gente não fez de verdade. De alguma forma todo mundo passou mal nesse ano, só variou a intensidade. Como diz o bordão “até quem não tá mal, não tá bem!”. E é por isso que de 2020 teremos uma forte memória coletiva. O ano que não foi. E a memória coletiva para por aí! Por que tivemos, em meio ao caos, uma oportunidade incrível de sermos melhores. Mas, nada mudou. Sabe porquê? Porque somos ruins? Não! Por que estamos doentes! Viemos adoecidos de séculos de padrões, estigmas, rótu...

PEDRO

Quero tanto te ver Pedrinho Teu sorriso arregalado Destrambelhado  Igual de bebezinho O mundo tá uma confusão  Mas se preocupa agora não  Você ainda tem tanto chão  Você já sabe a história do dono do seu nome? Depois você procura saber, mas uma coisa é fato bebê!  Sua chegada já opera milagres  E que assim seja, como uma rede De pescador, como era o Pedro da Bíblia, Que sua rede, sua presença, sejam sempre oferta de Paz, amor e Harmonia

PALAVRA

Tem gente que tem e tem gente que não tem. Aliás, tem gente que apenas solta palavras ao vento e nunca consegue segura-las sequer diante de uma leve brisa. E tem gente que entende e pratica a palavra enquanto verbo... E verbo é ação! Ação é praticar aquilo que é dito, praticar a palavra! Deveria ser a regra, mas, infelizmente, é uma seleta excessão. Pouca gente em tempos modernos está disposta a pagar pelo valor do verbo! Muita gente está pronta para desfrutar do conforto da brisa, que leva com ela palavras e promessas.

O MILAGRE QUE HABITA EM MIM

É um milagre diário acordarmos e termos forças para recomeçar naquele dia, tentar mais uma vez, encarar de frente a vida. É um milagre diário saber enxergar as oportunidades nas adversidades. É um milagre diário saber agradecer pelo que nos é proporcionado. É um milagre diário reconhecer tudo de bom que acontece à nossa volta. É um milagre diário saber lidar com cada situação. É um milagre diário não desistir no meio do caminho, não entregar os pontos. Seguir com fé, mesmo vendo tudo desmoronando. É um milagre diário encontrar felicidade nas coisas mais simples. O nome desse milagre é Deus. Esse é o milagre que habita em mim e sim, esse milagre também habita em você. 

TBT

Throw Back, volte! Para os bons sentimentos e a maravilhosa sensação de momentos simples de conversas e risadas com quem amamos, na liberdade de fazer isso onde a gente quisesse. Reconforte-se nas lembranças. Está quase chegando o momento de fazermos tudo isso de novo. A pandemia ainda não acabou. Não estamos isolados totalmente como antes, quem aguentaria, né verdade?! Mas, isso não significa tirar as máscaras, esquecer os cuidados mais importantes, como lavar as mãos, usar o álcool, limpar as superfícies onde tocamos. Não ficar perto das pessoas em locais públicos. É tão duro. Mas, é ainda mais duro ver vulneráveis sucumbirem ao Corona. E vulneráveis são todos aqueles que, sem nem saber, sem nem esperar e achando que não vão ter nada, podem agravar e ter maus momentos, sequelas ou até ir embora. Por isso, segura a onda. Use a máscara, limpe as mãos. Não aglomere, a vida normal só vai voltar quando já não houver risco para tantos. E esse dia está cada vez mais perto.

Movimente-se

Ainda que não dependa de você a mudança, ainda que pareça nada poder fazer. Existe uma sinergia no universo e tudo o que fazemos -  ou não - é parte de um processo que resulta em algo. Então, se você permanece parado  é levado pela vida e às vezes o destino é lugar algum. O movimento nem sempre significa mudança brusca. Às vezes o movimento mais importante é a decisão de colocar em prática o planejamento, a organização de ideias, a separação da consciência do que depende ou não de você. Do que está ao seu alcance fazer. Uma vez que você sabe, faça, ainda que pareça que não tem a ver com o seu objetivo inicial, que não vai levar a nada. Somente faça. Mexa-se, use os remos do barco e o resto a mudança da rota da onda se encarrega de fazer. 

VESTIR

Vista-se daquilo que te enche de alegria. Escolha a roupa que vai cobrir o teu corpo depois que a alma já não estiver mais despida, mas sim acolhida em camadas e mais camadas do mais belo e confortável que podes vesti-la. Depois que a alma relaxe, reconfortada em todos os afagos que proporcionastes a ela, é hora de escolher o tecido que vai enaltecer o corpo. E ele vai refletir todo o sentimento que tem ali, guardado em ti. Porque beleza vem mesmo de dentro e para que apareça do lado de fora, para que te caias bem a roupa, primeiro precisas transbordar beleza interior.

Consciência negra

Não é o meu lugar de fala. Mas, é minha obrigação a fala. Faço parte da estrutura e da sociedade que naturalmente vivem, convivem e praticam o racismo. Seja ele intencional ou inconsciente. Então, a obrigação de prestar atenção, corrigir, se corrigir, mudar é de todos. Há quem não queira. Racistas natos. Aqueles que de tão baixos e pequenos se sentem maiores... Jamais serão! E há os que não sabem como. Não seja, se corrija, não permita! Reprima quem é, troque as palavras, leia sobre. Levante-se contra. Ainda que em um post, um discurso, como este. E não só no dia. Todos os dias.

Estupro

O caso de uma menina de 13 anos estuprada me chamou atenção. A lei diz que até os 14 anos de idade o sexo com menores, consentido ou não, é considerado estupro de vulnerável. Para além do que diz a lei, com certeza muita gente vai culpar essa menina. Porque nessa idade “já tem corpinho”. O Brasil tem a cultura do estupro entranhada em sua história. Somos fruto em grande escala do estupro de índias e negras! Crescemos numa sociedade que prepara a mulher para o casamento. Antigamente era normal o casamento ser prometido/acontecer junto com a menstruação. Aqui a sexualidade feminina ainda é tratada de acordo com a visão da cultura machista e do estupro. Lembro com asco de entre os 11 e os 12 anos de idade diariamente ser assediada por um vizinho pedófilo, pai de um coleguinha. Lembro que uma babá percebeu a situação - que eu não via - e relatou a meus pais. Então, pare e pense qual colaboração você dá para que muitas meninas sejam roubadas de sua infância e se calem por medo do seu julgam...

PLENA

Olhei para aquela amiga, que conheci ainda menina, entendi o sinônimo de plenitude. Como é verdadeiro o clichê. Nasce um criança, nasce uma mãe, renasce uma mulher. Minha amiga desabrochou na mais plena flor. Espalha amor, cuidado, carinho, aconchego em cada canto por onde sua voz passa. Que presença intensa e sutil, forte e macia, como o abraço da mãe que não deixa de educar seu filho, corrigi-lo, mas sempre com amor, para que ele saiba sempre que está em um porto seguro, onde o amor é incondicional. Sorte de quem tem Laura na sua vida. 

Democracia

A democracia está longe de ser perfeita. Mas, ainda não inventaram nada melhor do que ela. Assim disse Winston Churchill. Claro que como “bons seres humanos” inventaram meios de burlar o processo democrático e até o momento de ir às urnas existem 4 anos de campanha, hoje reforçada pelos adventos internet e a pisco-comunicação, o marketing especializado. Toda comunicação que chega até você é pensada por um sistema que entendeu como funcionamos, independente de querermos. Nessa batalha vence quem tem maior ramificação, ou seja, via de regra, quem tem mais investimento ou mais influência. Porém, apesar dessa imperfeição, o ato do voto na urna é nossa maior oportunidade democrática. Aqueles segundos são sagrados e não foram, ainda, violados. Use com responsabilidade. 

Não seja

Não seja a pessoa que Não pensa nas outras Só pensa nas outras  Passa por cima de outros  Não luta por seus objetivos Só visa o bem estar próprio Não se coloca em primeiro lugar Não abre mão de nada pelo outro Abre mão sempre dos próprios desejos Não pensa no amanhã Só pensa no futuro Na gangorra busque sempre o equilíbrio 

CONF(i)US(s)ÃO

Vou confessar como é difícil entender a confusão que gira em torno de você. Aliás, vou confessar que ando confusa e tenho andando por trilhos sinuosos, cheios de saídas. Todas confusas. Confesso que não sei por onde seguir na confusão que está este ano, que a vida, o mundo, as pessoas se tornaram. Confesso que é preciso muita fé e confiança para achar clareza em meio a tanta neblina 

AM(D)OR

Amor e dor. Sentimentos professores. Nos ensinam, aprendemos... Ainda que não sejamos bons alunos. Por excelência a dor é mestra. Porém, quanto amor pode surgir em meio a dor! E ele vem como o remédio para a ferida. A energia quando as forças lhe faltam e parece que tudo vai desmoronar. Quantas formas de amar, de se demonstrar. Tem aquele que persiste mesmo quando quem recebe resiste. Amor de conexão, desses que simplesmente acontecem, sem precisar explicação. Não precisa nem se materializar pra existir, transcende e acende o que de mais bonito pode ter: o respeito ao ser.

CO(n)VI(te)D

A vida/saúde/Deus/circunstância te convida a parar e refletir. O COVID te obriga. E nesse looping de sentimentos pela saúde, os problemas ao redor não param. Eles viram segundo plano. Na verdade, alguns brigam com o COVID para ver quem estará em primeiro. E há quem colabore para que nessa luta a saúde não seja prioridade. Mas, como todo bom ditado que se cumpre, quem tem com o que me pague nada me deve. E nessa reflexão você entende que tem muita gente boa! Disposta a fazer um afago, a se fazer presente, a te dar carinho, ainda que não fisicamente. Muita gente que só quer te emanar luz, sem precisar receber nada de volta em troca. Um convite a sermos nós também melhores. Afinal, o que importa? Ser luz ou treva? Sakey que tem muita treva usando lâmpada. Mas, a vida me convidou a ser luz e eu aceitei!

FAMÍLIA

É tão forte que é a pauta da nossa vida. Baliza a nossa normalidade, a nossa loucura, a nossa felicidade, a nossa tristeza, os nossos problemas, as nossas soluções. É o que realmente importa. É quem realmente se importa. Tudo gira em torno disso, até quando não se tem. E por ser tão sagrado que é instituição. Perante Deus, para o homem e em todas as situações. Talvez a mais inviolável de todas e a única indispensável também.

SENTIDO

Direção. Passado de sentir. Funções corporais. Cinco? Seis. O sexto sentido. Ahhhh o sexto sentido. Ele é mudo. Fala baixo porque quer atenção. Mas, por vezes grita. O sexto sentido tem muita coisa pra falar. Aliás, ele está aqui falando intensamente comigo. Ele não cansa de chamar minha atenção. Silenciosamente ele grita que eu acredite no que ele me diz porque na proporção de acertos e erros, até o tempo presente ele nunca erra. 

SOPRO

Tão natural o processo que o envelhecer passa despercebido aos olhos de quem apenas vê. Fardo, bênção, milagre, dificuldade, um misto de contradições que mais dependem dos olhos de quem enxerga. A presença constante, cheia de representatividade. De repente, ausência. Num sopro não há, não está, não é mais. O vazio da ausência, o preenchimento da lembrança. A saudade no coração. O sopro do ciclo da vida. 

VOLTA AQUI

Volta aquiiiiii! Me lembra tudo de bom que vivi, faz chorar de alegria, saudade daqueles dias. Volta aqui passado e me lembra como você ajudou a construir o hoje. Como é bom olhar pra trás e sentir felicidade. Mas, pode ir passado! Ficou para trás.Te chamei pra voltar aqui só para você me lembrar como fui e como posso ser feliz. Que o presente é um presente e o futuro… AH, o futuro! Ele é todo meu!

CRIANXA

Tudo pode ser, só basta acreditar! Sonho sempre vem pra se sonhar. E que a criança sonhadora dentro de nós jamais morra. Ela é o que há de mais puro, bonito, humano. Ela nos mostra que é de chocolate! De chocolate o amor é feito. E que precioso é manter a associação de sensações a sabores, algo tão comum na infância! Que a criança G de gente, H humano, I de igualdade, J juventude, L liberdade, M molecagem dentro da gente nunca vá embora! 31 anos e dentro de mim ainda mora uma menina que senta-se ao chão, brinca, dança e sonha. Que olha pra o céu e sabe que a Lua de Cristal, que me faz sonhar continua lá. Ela vai me fazer estrela. Graças a toda essa magia, Eu já sei brilhar!

VIVER

E o que seria a vida se todos os dias as páginas estivessem preenchidas e a gente apenas acompanhasse, como em uma leitura? O mais perturbador e o mais reconfortante é saber que não adianta, você jamais saberá o que exatamente vai acontecer. Muito menos se terá chance de realizar depois o que deixou de fazer, de viver. Arrependimentos só devem existir do que não foi feito ou do feito que feriu alguém. Deixar de viver somente aquilo que não lhe pertence. A bem da verdade, no fundo no fundo, eu acho que Maktub, já estava escrito. Mas, as linhas não estão marcadas. Elas são opções a serem preenchidas ao longo do caminho até a escritura.

PALAVRAS ESCONDIDAS

Saiba que por trás de cada palavra verdadeira  há ainda mais verdade que precisa ser lida nas entrelinhas. Muitas palavras verdadeiras são reflexo do exercício diário de repetir em voz alta aquilo que é o melhor. Nas entrelinhas delas está o coração, aquilo que ele grita, mesmo quando não condiz com a palavra dita em voz alta. Ler os encontros vocálicos, as frestas entre uma letra, uma palavra, e outra é a chave do mistério da pirâmide. Já não é mais para ser devorado e sim para decifrar. E quando o curso do rio é turbulento, só o silêncio para ouvir o caminho e saber ir nele, sem se afogar, responde o enigma. 

Formiguinha

Todos os dias milhares delas me acordam passeando pelo estômago. Brincalhonas, elas correm dentro de mim e ativam meu cérebro. Cada passinho, um pensamento, cada passinho um plano para o dia. E de passinho em passinho elas fazem cócegas e meu coração acelera. O corpo treme, a mente dispara. Há quem diga que são formigas de ansiedade. Há quem, como eu, acredite que são formigas de sede. De vida, de experimentar, de realizar, de sentir. São formigas que juntas trabalham, como operárias, na construção do que um dia será nossa história. 

Insônia

Acordei no meio da madrugada. Não consigo dormir, mas estou cansada. A mente decidiu começar a trabalhar 3 horas antes do corpo. O que faço com o vazio que habita entre o pensar e o agir? Entro em oração, respiro fundo e aos pouquinhos Deus vai colocando a sua mão em meu coração e na minha cabeça. E vai acariciando os meus cabelos dizendo “descansa minha filha que eu velo pelos seus sonhos e pelos seus dias e não há inimigo capaz de tirar o seu sossego” 

Sono

Acordo na expectativa de resolver toda a vida em um dia. Ao meio dia vivi parte do que podia, mas que de longe não era tanto quanto eu queria. Fim de tarde comprovo que o tempo voou, mas penso “que bom, o dia ainda não acabou e ainda tenho muitas horas para fazer muita coisa”. Mas, como quem não vê o tempo passar, quando já é noite, na hora de descansar, eu vejo que o tempo passou e quase nada do que queria se solucionou. Pode parecer ruim, mas não é! Significa não só que o dia foi produtivo, mas que amanhã continuarei tendo muitos motivos para mais uma vez acordar e me empolgar. A cada amanhecer, uma nova esperança na expectativa do que vai acontecer. 

DESCONSERTO

Conserte o que não é certo Que eu acerto o meu concerto Conserte e não erre Para resolver meu desassossego Conserte o que meu coração Diz pedir conserto Acerte e não erre Para que o passo seja certeiro Conserte e acerte Mas, não esqueça que do erro Vem o certo que é certo Que nessa vida nada é certeza

NA TEORIA TODO MUNDO SABE, COISA É NA PRÁTICA!

E é assim em tudo! Principalmente nas grandes questões sociais que levanta-se hoje: machismo estrutural, racismo, homofobia, xenofobia, preconceitos e intolerâncias. Todo mundo sabe que é errado, muitos admitem que precisa ser mudado (eles, os outros, tudo!). Mas, poucos conseguem a missão. Todo mundo diz saber o quão duro é para a vítima. Mas, quero ver (aliás, não quero, porque não quero mais vítimas!) o desempenho daqueles que dizem saber, no lugar de quem sofre. O machismo estrutural não está só no cara. Tá também na mana que não concebe o feminino empoderado e poderoso, que infelizmente foi lavada em um banho de machismo e ainda não conseguiu abrir os olhos que ela, que tanto prega que não é, nada mais do que é! Olhos abertos, maturidade e mente aberta. Desarmem-se, amem. Aí sim a porta estará aberta e muito do que a língua diz vira verbo e ação.

TV

Eu era pequena. Lembro de na hora de dormir ficar imaginando como seria se eu fosse uma daquelas personagens. Conheci a TV de tubo. E tive uma no quarto. Lembro da zoada do botão ao trocar os canais. E da alegria quando um “novo” pegava. Que mágica quando tive acesso a uma infinidade de opções na tv a cabo! Assistindo a TV sonhei ser estilista. Assistindo a TV mudei de ideia. Decidi que faria as pessoas sentirem o mesmo arrepio que eu sentia quando assistia a um jornalista dar uma notícia importante. Coloquei o primeiro pé na faculdade sabendo onde eu queria chegar e, como rio que corre para o mar, lá estava eu, fazendo TV! Me apaixonei. Não consigo explicar. É como alguém da família, com quem a gente discute, de quem a gente reclama, mas não larga. Hoje ela é uma idosa. Dessas que ditou padrões, fez história, virou modelo, mas está longe de ter os dias findados. Como uma fênix, sempre renasce, só que no caso dela jamais esteve nas cinzas. 

ATIVE-SE

Gastar energia para ganhar. Tirar energia parada para dar espaço à nova. Gastar energia velha para renovar. Esse é, para mim, o significado de conseguir fazer atividade física logo cedo pela manhã. O sol nasce, mostra o poder de transformação de tirar o mundo da escuridão para a luz, e lá vou eu, renovar minhas energias. O quão energizante é começar com renovação. Saúde mental! Ative-se! Recomento a todos! 

PROFISSIONAIS

Existe uma difícil imposição no auge do que seria a nossa maior produção e contribuição social, a vida profissional. É uma imposição de que a gente aprenda a separar razão da emoção. Você leu e disse “óbvio!”. Mas, humanamente, como não deixar o incômodo, o sexto sentido, a chateação, a emoção interferirem nem uma pontinha na nossa produção? Você vai ter várias respostas para a teoria, mas, para a prática, poucas. Por que ainda que a gente pense e teorize o trabalho como máquina, como linha de produção, nós somos humanos e falhos e, ao contrário de em uma linha de produção da fábrica, quando o resultado de nosso esforço tem erros, a gente não pode recolher as consequências para um “recall”. Muitas vezes não dá nem para consertar. E quantas vezes pensei em pessoas como anti-profissionais, reclamei. Mas, agora, refletindo, revisitei. Somos humanos e nosso maior desafio diariamente é justamente achar a balança e ser profissional, sem deixar de ser... Humano! 

PASSEI DOS 30

Passei dos 30 e nada é como eu tinha imaginado que seria. Ainda que seja tudo diferente, eu gosto do que é. Eu gosto de quem me tornei e da segurança que tenho hoje sobre quem eu sou. Houve uma época em que tudo eram dúvidas, incertezas. Tão bom chegar aqui e entender que esse tempo ficou para trás. Dos 30 para os 31 quem está de fora não vê tanta diferença, mas, na prática, aqui dentro, muita coisa mudou! Que ano! Para mim e para o mundo. Quem diria que em pleno aniversário estaria isolada e passaria com a companhia que aprendi a gostar dos 30 para os 31: a minha própria. Feliz vida inteira para a mulher que renasce  a cada ano, como uma flor, em cada primavera! 

CAMILA

Ainda que fosse só Camila, jamais seria mais uma. Ela é Tíssia, nome composto, forte, para caber dentro dessa imposição uma dona cheia de emoção. Ela é amor, alegria e, por vezes, calmaria. No meio do turbilhão ela consegue manter a atenção e para o que ela é instabilidade, para muitos soa serenidade. Porque nem ela sabe como sua forma quieta de encarar a tempestade ajuda a reorganizar o lugar onde ela está. Camila Tíssia não é prisão. Ela deixa livre para voar e, se quiser, voltar. Só que entre idas e vindas ela é sol e ímã e quando a gente menos espera… Estamos juntas de novo. Bem assim foi a nossa amizade, que entre interrogações e emoções, o tempo nos deu o maior presente: as exclamações da certeza. Com amor, de uma amiga sonhadora, que deseja a você mais do que momentos de felicidade, uma vida inteira de alegria e tranquilidade.

E QUANDO?

Três segundos à espera das ideias. São muitas, mas, como selecioná-las? Tudo atarefado, diferente, corrido, misturado. E quando será? Que você irá conseguir respirar, pensar e fazer acontecer? Se só a vida levar, talvez uma hora vá dar para parar, pensar e rascunhar. Mas, se a gente precisa fazer acontecer, difícil é ir de encontro a essa maré que nos leva sem deixar espaço para o escolher. 

MIGUEL

Aquele que do alto se deu na batalha pelo que acreditava, aquele que reconheceu a grandeza do mestre e por ele mais do que se entregou, ganhou. Príncipe por merecimento, consequência da fé que age, protetor do paraíso. Milagre de Miguel. Lágrima transformada em ação. Proteção maior, não há. “Ninguém como Deus!”. Ele é Miguel! São Miguel, defendei-nos no combate e livrai-nos do mal!

BORBOLETAS

  São dias de espera, Dias em um casulo, até a hora de voar. Algumas lagartas demoram uma semana, outras até um mês na inércia, até começarem a se mexer. Trabalham, remexem, saem da zona de conforto para alcançar a liberdade. Sem o esforço máximo a lagarta morre no meio do caminho. Se ela decide fazer nada e permanecer no casulo, quietinha, na zona de conforto, também morre. A única opção é trabalhar por seu objetivo: viver, voar, encantar. E já que é para se movimentar… Não, não adianta tentar antecipar o momento. Para voar é preciso maturidade. Para encantar é preciso maturidade. O voo da borboleta é sinônimo de mágica, encanto, contos. Uma singela atividade diária, parte da cadeia natural da vida, mas que tem representatividade e não passa despercebida. É preciso se recolher, descansar, pensar, maturar, trabalhar, se esforçar para depois voar e encantar.  

Criatividade

Criar Do nada, de tudo, para tudo Atividade Pensar, Linkar, Criar Imaginação Faz parte da criação Bagagem Conteúdo, estudo, investimento Conhecimento Dedicação, observação, entendimento Permissão Para se deixar voar sem direção  

Corujão

No silêncio da noite O barulho da mente Apagam-se as luzes Ascendem-se as ideias O sono vai dormir A mente acorda  O pensamento vai lá longe E se der corda A viagem não acaba A máquina trabalha Até arriar a bateria Quando a viagem se mistura ao sonho E o bocejar recebe o raiar do dia

Dança

Dança, balança, baila Mexe, remexe, viaja A sincronia da dança A Terapia do corpo Da alma, da mente e do coração Dança, balança, encanta  E quando os pés cansam A mente descansa  O corpo relaxa  Estado de satisfação  Bailarina, dançarina, artista Advogada, médica, dona de casa Dance, balance, se entregue Feche os olhos, aproveite, sinta Seja feliz 

CURA

Cura do coração humano, das mazelas da alma, dos tormentos, do choro, da dor. Cura de tudo aquilo que transtorna, incomoda, fere. Para encontrar a cura, reverência, paixão, adoração. Entregue teu coração, abra tua alma, não te envergonhe das lágrimas. Doação do mais precioso: de si, sincero, interno. É assim que Jesus intercede por ti. E, sem perceber, ele chega onde não podes ir.  Sem ver, ainda que o problema permaneça, ele faz com que dele não mais pereças. Nada mais milagroso do que tormenta se tornando “bença”.

PRIMEIRO PASSO

O primeiro passo para o vício: experimentar. Já dizia minha avó, “aquilo que os olhos não vêem, o coração não sente”. A ciência: aquilo que suas papilas gustativas, seus neurotransmissores não passam, não se transforma em dependência. Até pra formular essas versões da mesma coisa eu só consegui por causa do privilégio de dominar as letras. E sou chique, domino em três línguas. O não experimente pra não viciar vale pra mim, que estudei e ainda posso seguir estudando. Para aquele que nasceu no absurdo, vê tudo escuro, desde cedo conhece “as coisas do mundo”, toda essa lorota não importa. Essa premissa não vale, porque pra ele não dá tempo se quer de pensar se vai ou não experimentar. Nem todo mundo que nasce no bolsão da pobreza vai sofrer da má influência. Família, correria, que sorte é pra esses ter uma! Mas, pra quem nasceu na ausência… Experiência, influência são só consequências na caminhada. Por que o exemplo arrasta e, nessa vida sem expectativa, ele fica sem opção e vê naquilo qu...

ATENÇÃO

  É algo tão precioso, que quando tudo vai na normalidade a gente não presta muita. E assim deixamos sem atenção coisas, situações e pessoas. Sem perceber faltamos e muitas vezes não entendemos os processos deixados pela ausência da atenção. Ela é tão importante que precisamos usá-la. De todas as formas, em todos os lados. Pra dentro, pra fora, ao redor. E quando prestamos atenção que não estão nos dando atenção precisamos girar o leme e seguir outros horizontes. Às vezes a atenção só é chamada depois da ausência. Ela é surda e muitas vezes quem a veste é míope, não consegue enxergar os sinais. Coloque os óculos e use principalmente quando for para dar atenção a você mesmo: ao seu coração, à sua alma, à sua mente. Atente para si e deixe de lado tudo e todos que também não se atentam para ti. 

LIMITE

Pare para pensar nas possibilidades gramaticais e práticas do uso. São muitas. Há limite para tudo. Precisa-se de limite para tudo. O limite é a linha da ponderação, do relativo e da noção. A linha tênue entre o essencial, o de menos e o demais. Mas, o limite também é relativo, personalizado. Não vem apenas com regras e marcos. Na verdade ele é a regra e o marco. Porém, envolve também o ser, o sentimento, o pensamento, o envolvimento, o humano. Importante reconhecê-lo e, mais, conhecê-lo. E antes que termine o limite das minhas linhas, fico por aqui ilimitando o seu poder de reflexão. 

Ensinamento

Podia ser mais um poema rimado, com palavras e letras contadas, mas, não! É um relato de pandemia. Um relato de quem está em êxtase, emocionada com uma coisa tão simples: poder fazer uma aula de dança presencialmente. Ainda que seja com muita restrição, máscara, segundos contados, com pouca gente... Mas, tem gente! E é isso que faz a diferença em nossas vidas: gente. Como é bom estar feliz com pouco. Por que ter, fazer, estar só são prazerosos quando trazem felicidade. Então, se você se sente feliz isso é precioso! A felicidade não é um estado constante de alegria, prazer e paixão suspirante. Isso é conto de fadas! Felicidade está nesses detalhes que viram memórias. É saber que vale a pena estar vivo por momentos como esse. É ter Deus no coração. Eu desejo que mais pessoas experienciem a emoção genuína da felicidade pelas coisas simples!

PAI

Painho Amo Imensamente Poder Abraçar-te Incansavelmente Presente Altivo Inteligente Poderia Avançar dias Inteiros te descrevendo Porém, só quero dizer que Amo-te Incondicionalmente 

MONTANHA RUSSA

Alto Baixo Fundo Sereno Profundo Calmo Tormento Esperança Desespero Dias sim Dias não

MULTI

Multi   Utilidades Facetas Mídia Cultura  Talentos Muitas coisas Ao mesmo  Tempo Bastantes Prazerosas  De mãos dadas 

REFORMA

Reforma A Forma Refaz A Forma Revisa O jeito Repensa  O meio Revira Tudo  Remexe Muito Reutiliza O que pode Reinventa A vida

MAMAR

Mamar, mamãe! Disse o chorinho Do bebezinho Que em palavras Ainda não  Sabe dizer que  Precisa comer Mamar, mamãe! Duas palavrinhas Mágicas Desejadas, Romantizadas Conquistadas, Decepcionadas, Encucadas Doloridas, enlouquecidas Privadas do Sono Cansadas, descabeladas Cheias de alegria Amor incondicional

Sexta

Eu queria escrever O mais belo poema Que falasse apenas De todo meu ser Mas, a vida quis Que eu estivesse Aqui em plena Sexta No momento da sesta Olhando um céu Azul com nuvens de Algodão, clarinho como Belo dia de verão Por isso, amigo Só consigo na sesta Sentir a preguiça Pós almoço de sexta

Meu

Nada mais nosso que o nosso momento. E quando é meu, tão meu, não cabe mais ninguém. Calo, penso, isolo, entro. Não há como externar, não há o que compartilhar. Requer silêncio. Por isso, rotina muda, padrão foge. O “precisa” vira apenas o necessário para atender esse recôndito do eu. Eu peço atenção total. Meus olhos se voltam para meu mundo. É tão egoísta esse Eu, só pensa em mim. E não poderia ser diferente. Ele é frágil! Porém, forte o suficiente para cuidar e zelar por aquele a que pertence. 

Olhos abertos

Em meio a tantos extremos e a tantos absurdos declarados sem cortinas, vejo também esperança. Naqueles que ao longo do tempo mudaram seus pensamentos, abriram os olhos, desnudaram preconceitos, entenderam conceitos, relativizaram medos, desenformaram padrões e tentam promover mudanças. Onde o sistema trabalhe para pessoas e não para números. Onde o lucro final seja o processo social, o acesso, a justa justiça e tudo que representa, de fato, qualidade de vida. Enquanto o tsunami revira tudo, mistura tudo, faz joio e trigo serem levados juntos pela onda, que quando a tempestade passar e a bonança chegar, as sementes gerem organicamente vida em abundância.

AMIGOS

Passei a manhã tentando planejar postagens sobre o dia do amigo. Fiz arte em algumas fotos, por 4 vezes comecei a montar carrosséis (aquelas 10 fotos na mesma postagem) e em todas parei. A cada foto que eu procurava, encontrava outra com alguém que cumpriu a função de amigo em minha vida. E desisti de postar fotos para não ser injusta. Por mais que a gente tenha melhores amigos - e para essas pessoas eu já agradeci por terem me salvado muitas vezes, elas sabem que o são - há aqueles amigos que estão há tempos em nossa vida, foram os mais importantes na nossa construção de personalidade e deixaram memórias inesquecíveis. Há ainda os que passaram um longo período e mesmo longe, o tempo que permaneceram foi suficiente para jamais serem esquecidos. Há os que participaram de um momento muito específico, mas sem eles não teríamos conseguido passar por determinados desafios. E há os que sem saber cada palavra traz alívio, amor, aconchego… São muitas pessoas e ver como tanta gente boa passo...

INSPIRAÇÃO

Inspira. Respira. Não tenho nada na cabeça agora, não pira! Faltou inspiração, fica só a pausa para a respiração. E, como agora é o fechamento de um ciclo e em breve começa a abertura de outro, vou para a paz da organização interna, à espera da imaginação, quem sabe vem a inspiração. Por isso, inspira, respira. Inspira, respira. Inspira, respira. Inspira, respira… Não pira!

PREGUIÇA E INÉRCIA

Você olha e pensa, “porquê?” “Por que eu tenho que fazer isso?” Ou seria tenho de? Se for o de, não há espaço aos devaneios justificativos para não sair do conforto da preguiça. Ela é um ator responsável pelo estado de “auto-carregar” e encontra a palavra confortável, na qual desejamos permanecer, carregar a bateria, por um tempo. Ainda que a mente grite “compromissos!” e a consciência desperte “precisa sair daí”, seu corpo e seu coração não querem. Querer não é poder, a preguiça sabe que não pode e deixa a obrigação tomar conta e ser cumprida. Ela não veio para prejudicar. Já a inércia faz ficar onde está, seja bom ou não. E quando o racional grita e os “tem de” da vida aparecem não há reclamação, muito menos ação. Há somente o profundo poço da queda dentro de si, sem se quer sair do lugar. E quanto mais reina a inércia, mais a cor do redor se apaga, o tempo passa, a bateria só se esvazia e ela se alonga… Por isso, vivas ao privilégio de poder se deixar levar e embalar em um bom dia ...

SABER

A gente acha que sabe, mas não sabe. Dos conhecimentos que absorvemos na vida, no final das contas ficam nossos sentimentos. Porque somos feitos de impressões. Chega para nós o que nos pareceu, o carimbo no peito. Saber de verdade, só sabemos daquilo que vem de nosso coração! 

LER

Porque ler é falar. Enquanto se absorve as palavras, fala-se com o coração, que responde em emoção. Ler por instrução e, se encher o saco, por distração. Ler para ver aquilo que os olhos não conseguem alcançar, mas nítido o suficiente para a imaginação desenhar. Ler para entender e para aliviar. Ler para desabafar ao se identificar. Ler por amor, ler por prazer, ler por aprender, ler para esquecer. Não importa. Apenas ler. 

ESPERANÇA

Abro o olho, esperança. Fecho, palpitação. Sonho. Abro novamente os olhos, o dia começa. Esperança. De algo diferente, melhor. Palpitação… Do que fazer, final de semana. Ou, seria mais um dia de marcação da semana em que dias úteis e de descanso já não se diferenciam mais? Mais uma que termina. Já já outra se inicia. E nesse movimento de abrir e fechar de olhos os dias correm, sempre marcados pela esperança a cada despertar. 

TEM QUE

Tem que fazer hoje. Tem que postar tal dia. Só pode postar X vezes. Tem que alimentar desta forma. Só pode postar y tipo. Tem que usar estratégia. Só pode postar pensado. Tem que planejar. Tem que traçar metas. Tem que descrever os objetivos. Tem que definir persona. Tem que produzir voltado para. Tem que entender como funciona. Tem que automatizar. Tem que otimizar. Tem que robotizar. Tem que artificializar. Tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que, tem que… Pare! Respire… Sinta, viva! Aproveite!  Siga o fluxo, mais do que a tendência. Das consequências, colha os resultados… Da vida real, não do marketing. 

Tempo ensolarado, com nuvens

O dia tá lindo lá fora, mas há um nublado aqui dentro. Como sair daqui de dentro para fora, sem burlar as barreiras do isolamento? As nuvens embaçam e calam. Emudecem. As palavras fogem e os pensamentos embaralham. Mas, aí vem o sol. Que, lá de cima, como um rei discreto e onipresente, faz a gente saldá-lo, também discretamente.  Fecha os olhos e sente. As palavras dão lugar ao pensamento do coração, numa singela conexão.

Quando tudo isso passar

Como são grandes as expectativas, os planos, os sonhos. Mas, como são ainda maiores as incertezas. Quando passar a espera e chegar a hora se quer teremos consciência, quiçá memória. Contem um pouco e… Muito do que foi e não era para vir está de volta. Nas notícias estarão de volta os flagelos de flagelados que nunca os deixaram de ser. Mas, tiveram seus problemas ainda mais só para si, ainda menos falados, imagine resolvidos! A quantas dores os olhos do mundo mais uma vez se voltarão para relatar os acontecimentos… Sem nada mais ser do que a terceira pessoa?? Porque sempre é assim, ou você é a personagem principal, ou a terceira pessoa, aquela que assiste. Ninguém quer o papel de coadjuvante que, sem brilhar, muda o rumo da trama dos outros. 

TERAPIA

Quantas vezes pensei o que falaria no divan, elaborei o raciocínio, coloquei as dúvidas e automaticamente, conhecendo bem o perfil da terapeuta, imaginei as respostas que teria. E essa alusão (ou seria ilusão?!) de estar no divã dissiparam os pensamentos angustiados da cabeça. Auto terapia, uma loucura, mas que serve pelos próximos 30 minutos, ao menos. Que falta faz um divã real, não o imaginário. E que falta faz ouvir a terapeuta de verdade, não a lembrança dela. Enquanto não é possível deitar-me de frente para a parede branca, rodeada do cheiro de livros e madeira, busco a terapia em outros lugares. Ainda que ao fim da distração, a onda volte e a ansiedade perdure. O que seria essa capacidade de se “auto-terapizar” com a participação ilusoriamente ativa de uma terceira pessoa?! Necessidade de terapia, Deliriun - termo técnico médico - derivado de isolamento prolongados, ou devaneios de um tempo sem eira nem beira?! 

CONFORTO

Inspira, respira, o cansaço bateu. O primeiro desejo: cama. A tristeza fez morada, cama. A saúde fraquejou, cama. A serenidade habita, cama. A tranquilidade de um domingo de sol, sereno, no ritmo do descanso… Largado na cama. Que conforto poder contar com o porto seguro de nossa cama. Um templo sagrado, onde corpo, mente e espírito se reconectam, ou se desconectam. Alívio para os que tem, gratidão! Desespero para quem não tem, miséria! É tão básico que às vezes a gente se esquece daquele “huuum” de prazer que nos remete lembrar do travesseiro do seu jeitinho, que se encaixa no seu rosto, absorve o seu cheiro, recolhe os seus sonhos à noite e os devolve toda vez que você deita nele. Tem gente que dorme abraçado com o travesseiro, preenche o vazio e faz companhia. E quando a presença é de outro alguém, como cama e travesseiro viram cenário permanente de uma história de dois! “Huuuum”… Na moleza de quem está escrevendo recostado no conforto da própria cama, vou ficando por aqui. Bateu ...

SENTIMENTO

Chateada! Ofendida Magoada Decepcionada Conformada Ansiosa Preocupada Esperançosa Alegre Animada Triste Sentida Sentimental E ainda tem uma lista de muitos sentimentos que cabem em um só coração. Muitos ao mesmo tempo. Esse músculo é mesmo muito sagaz. 

RESPEITO

Respeito. Tire a capa de vítima e olhe no espelho. Mas, tire Narciso da frente porque ele deturpa. O significado das palavras muda e o prisma vai para o centro do nosso tronco. Só que a única semelhança entre o umbigo e o mundo é o formato redondo. Respeito depende do ponto de vista? Talvez, mas quem recebe o troco do desrespeito dado primeiro precisa parar, pensar, tirar o Narciso da frente e depois repensar. Paciência às vezes esgota e todo mundo precisa recarregar, ligar na tomada e encher o potinho. Quando o outro é amante de Narciso o carregador quebra e a bateria da paciência não enche. Respeito é universal, ponto de vista só para quem é daqueles ao que te convém: estratégia em tudo. Fala com quem te convém, se relaciona com quem te convém, adapta as coisas ao que te convém. Calma, conveniência é mais do que necessária, mas na hora certa. Conveniência na estratégia em relações pessoais… É falta de respeito!

NÃO ESTOU AQUI

Sinto, mas não sinto. As pontas dos dedos sentem cada milímetro tocado. Mas, a sensação é de que o mundo está no diminutivo e tudo que é tocado é um pequeno pedaço de algo intangível. Como se a sensibilidade da ponta dos dedos não representasse uma realidade. Ela existe? É como se eu visse, mas só assistisse. Faço, mas não sou eu, não estou de fato ali, apenas no modo observação. E assim as letras vão saindo dos dedos por entre os teclados. Sinto a velocidade dos dedos deslizando, rapidamente, mas não sinto o movimento. Que estranho. Roda, volta, roda, volta. Formiga, mexo a boca, coço o rosto. Que estranha a sensação de se tocar sem se sentir. Ainda consigo pensar: é só o corpo regulando depois do impacto tão forte. Vai se ajeitar e você estará aqui de novo. Por enquanto só preciso ir, como quem boia de olhos fechados, recarregando enquanto a onda te leva a algum pedaço de terra.  

PARA BÊ

Vem Bê, que a tia quer te ver! Você foi  Planejado Sonhado Amado Desejado E chegou no meio de uma loucura no mundo Mas, não se preocupe Bezinho Agora você vai ser cuidado por todo o mundo que Vibrou  Chorou Rezou Torceu Desde o dia que foi concebido  Até o que nasceu Você já chegou com sorte Em uma família que te ama muito E de uma mãe que foi forte Como um leão para aguentar a dor E doce como mel para te dar o mais puro amor Bem vindo menino, ganhe este mundo que é teu E sempre terá um pedaço do coração meu                                                                                                          

COPO CHEIO

O copo cheio transborda O copo vazio sobra O copo pelo meio. PAUSA DÚVIDA PERSPECTIVA O copo está meio cheio, que bom! O copo está meio vazio, que pena! ESCOLHA ? ! DEPENDE O copo depende de alguém Para encher Para esvaziar Para deixar na metade Para ver Para entender Para interpretar Para sentir Para ressignificar Agora o copo está CHEIO

FUGA

As palavras sumiram. Ontem sonhei com elas. Em meio ao mergulho mental, um lastro de consciência e um sorriso no rosto que, dormindo, vi como se estivesse acordada. Quase com os olhos abertos pensei: já sei o que escrever amanhã. E mergulhei de volta na viagem profunda que descansa o corpo. A única em que não é preciso carro, avião, ônibus, dinheiro e nem preocupação. Mas, é a única também que o viajante não tem opção de escolha no destino. E ele, segurem os cintos viajantes, é o mais inesperado possível! É o mais interno e esclarecedor também. E apesar de não ter escolha, você nem sabia que você é o único que pode, de fato, saber este destino com antecedência, afinal as informações dele foram gravadas em seu subconsciente muito tempo antes. E se estão ali, são importantes. Por um motivo ou por um acaso. Eis que a manhã chegou, os olhos abriram, a barriga encheu e num movimento automático sentei em frente ao computador. “Aahhh, hora de produzir! Que hora mais gostosa!” Abro as notas e...

Namore-se

Dia dos namorados e quem mais também não tem alguém para presentear? A todos, em especial aos que são unidade e não par, proponho uma reflexão: o quanto você se namora? Você se basta? Parecem perguntar no mínimo egoístas. Mas, pense nas suas relações, nas dos amigos e veja se essa conclusão não é correta: quando alguém se basta, está bem consigo mesmo, consegue ser melhor com o outro e somar sem pesar. Então, quando você está bem não pede atenção demais, não há carência excessiva que enjoe e se você está bem com você tem maior capacidade de ajudar o outro com os problemas dele e por aí vai. Se você não se ama, como alguém pode lhe amar? O movimento começa de dentro. E quando essa consciência do EU acontece você se namora! Você fica bem e é feliz com você mesmo em primeiro lugar. Então esteja solteiro ou namorando, consegue entender que a felicidade não depende de outra pessoa, mas de você mesmo. Por isso que, nesse 12 de junho, comemoro meu status de consciência do EU e digo: namore...

PARA CECÍLIA

Vem menina linda Deixa eu ver os seus olhinhos Que chegaram com rasguinhos Escondendo suas jaboticabinhas Vem menina morena Preencher o vazio dos nossos corações Tão importante, mesmo tão pequena Na foto tem cara de flor serena Que acalma a angústia  De quem já é tão grande  E está com os olhos abertos  Vendo tudo isso de perto Veio menina morena Para nos mostrar em seu sono sereno Enquanto no mundo nosso coração está pequeno Que em breve tudo isso passará E você, Cecília, passarinhará

CORRUPTO SUBJETIVO

Nem toda corrupção é regulamentada. As que são exatamente opostas ao que está escrito na Lei ficam escancaradamente condenadas ao rechaço. O perigo mora na ardilosa corrupção subjetiva. Aquela que come pelas beiradas, disfarçada de moral, criadora de situações sinuosas e motivos manipulados e repleta de interesse próprio e conveniência. Difícil provar e punir na régua do merecimento, quando não há regra que regule. A subjetividade corrupta usa do próprio opostos, a ética, para se fortalecer e cegar àqueles a quem falta a sensibilidade de perceber a sutileza. Os fins justificam os meios àqueles que a ética, o certo e o errado dependem sempre do que os convém. Em algum momento o corrupto subjetivo é exposto e seus próprios meios o consomem. E então, vale tudo?

SELVAGEM

Sobreviver, adaptar. Assim vamos passar. É do ser humano, é instintivo. E de tão humano leva tempo. Adaptação, sinônimo de transformação. Processo contínuo intenso. Instinto aguça. Herança genética. Sobrevivência. Selvagem. Extremos psicológicos. Se perder, se encontrar. Ser irreconhecível, se redescobrir. Se conhecer, se reconhecer. Ansiedade, angústia, isolamento. Extremo. Selvagem. Sair de si, se desconhecer, se conhecer, se redescobrir. Limites. Saber o que gosta. Saber o que não gosta. Essência. Essencial, necessário. Separar joio, trigo, fraquezas, fortalezas. Clareza. Se redescobrir. Briga. Briga. Briga. Tatuagens. Cristais quebrados. Abriu os olhos, tudo isso passou. Sobreviveu, adaptou. Humano. Ficaram as tatuagens. Selvagem. 

ESQUECI

Esqueci. As palavras, as ligações, os temas, os motivos, as ideias. Vi apenas a nuvem na frente dos olhos que olham para a memória. O nome desse esquecimento: dor. Que tem o poder não só de doer, mas de esquecer. Não do que te fez sofrer. Do que importa, do que é bom, do que te faz produzir e se orgulha de si. Três letrinhas corrosivas. E difíceis de se esquecer. Esqueci de esquecer que elas existem. Esqueci de esquecer que elas vão embora devagar, mas como fuligem: são levadas pelo vento, mas não sem antes deixar muitas manchas escuras por onde passam, difíceis de limpar, sujando tudo o máximo que podem. A dor ainda tem a sagacidade de fazer também aquele que a causou esquecer do que fez. E geralmente quem testemunhou ou soube também esquece. O maior desejo de quem teve as três letras tatuadas no coração? ESQUECI. 

No auge dos meus 30 anos

No auge dos meus 30 anos eu decidi que antes que essa data chegasse eu realizaria o máximo de sonhos sonhados em 29 anos. Larguei tudo, deixei pra trás amores, dissabores e mal imaginava que junto ia uma boa parte de mim. Vivi, aprendi, sabatizei, voltei. No auge dos meus 30 anos renasço, mas não com o sentido poético da palavra, que os autores usam para descrever suas musas inspiradoras mais fortes e esplendorosas após dramáticas experiências. No auge dos meus 30 anos renasço do descarne, do aprendizado da dor do lombo sangrado pela vida comum, a de mais uma pessoa confusa nessa selva, incerta, aprendendo com as escolhas, separada da bolha. No auge dos meus 30 anos, sem querer me redescobrir, sou obrigada a me reinventar, tento me refazer. “No auge dos meus 30 anos”… todo mundo pensa em completar essa frase com várias realizações, muitos planos encaixados nos padrões. Independência, viagem, morar só, ter um carro, estar bem empregado, ter alguém, ser bem aceito pelos que queremos que...

#TBT FLORES E DORES

Imagem
#tbt de uma foto aleatória feita em Berlim, na Alemanha. Cidade que viveu a divisão do muro e de um mundo polarizado. E tem tudo a ver com nosso momento. Foi feita em frente ao memorial de guerra soviético. Em meio a representação de um momento tão doloroso, a Guerra Mundial, flores. Lindas, vivas, férteis, abundantes. Em todos os caminhos há a possibilidade das flores, há a fertilidade. Depois da tempestade elas representam a calmaria e lembram que a beleza e a esperança chegam. Ainda que depois das dores...