No auge dos meus 30 anos
No auge dos meus 30 anos eu decidi que antes que essa data chegasse eu realizaria o máximo de sonhos sonhados em 29 anos. Larguei tudo, deixei pra trás amores, dissabores e mal imaginava que junto ia uma boa parte de mim. Vivi, aprendi, sabatizei, voltei. No auge dos meus 30 anos renasço, mas não com o sentido poético da palavra, que os autores usam para descrever suas musas inspiradoras mais fortes e esplendorosas após dramáticas experiências. No auge dos meus 30 anos renasço do descarne, do aprendizado da dor do lombo sangrado pela vida comum, a de mais uma pessoa confusa nessa selva, incerta, aprendendo com as escolhas, separada da bolha. No auge dos meus 30 anos, sem querer me redescobrir, sou obrigada a me reinventar, tento me refazer. “No auge dos meus 30 anos”… todo mundo pensa em completar essa frase com várias realizações, muitos planos encaixados nos padrões. Independência, viagem, morar só, ter um carro, estar bem empregado, ter alguém, ser bem aceito pelos que queremos que nos aceitem, estar no auge dos meus 30 anos. Pois, veja só que interessante, o auge dos meus 30 anos não é nem de longe todo o auge imaginado. E muito menos os desejos do auge dos meus 30 anos são os que eram antes do auge dos meus 30 anos. Vivo na confusão mental do que farei depois do auge dos meus 30 anos. Na batida acelerada angustiada do que fazer pra chegar a depois do auge dos meus 30 anos. Para ficar ainda mais nos auge, meus 30 anos ainda me atropelaram com o enfraquecimento do vínculo do que antes era uma fortaleza, porto seguro e agora é mais uma prancha em meio à onda. … E no auge dos meus 30 anos eu sou ainda a pessoa que espera chegar ao auge dos meus 30 anos.
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