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Mostrando postagens de março, 2020

Tempo

Sem querer fiquei com tempo, mais tempo do que eu já tinha. Eu tinha muito tempo livre, mas era tão livre que passava rápido. Agora nem o que antes distraía e fazia o tempo passar é mais possível fazer. Não poder aprisiona, mas também liberta. O tempo agora está realmente livre. Para descansar sem distração. Ler um livro, assistir um filme, fazer um curso, escrever um texto sem desviar dos objetivos no meio do caminho. Só não pode sobrar tempo para essa angústia que bate na porta toda vez que a gente olha para a porta e tem vontade de ir pra fora. Aquele nó no coração que sobe para a garganta quando a gente lembra da programação de semanas atrás. Que saudade dos amigos, que vontade de ir ao restaurante, que vontade de ir à academia, que vontade de fazer tudo que fazia o tempo passar e a gente nem percebia. Mas, agora que o tempo é tempo, que a gente tá sentindo ele no ritmo verdadeiro vou dormir, tentar sonhar com os beijos e abraços que em breve - passe rápido, tempo! - ei de da...

Corona, vírus do distanciamento

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Imagine uma criança insegura ao ver tudo ficar deserto e os comportamentos mudarem. Agora imagine ela perceber uma situação grave, começar a chorar, correr de vez - como de costume - para os braços da mãe e não ser acolhida. Ser barrada do abraço, não receber a cura do conforto maternal. Eu mesma senti uma angústia enorme ao imaginar essa cena e mais ainda ao pensar que essa é a realidade de muita gente hoje nos países onde o corona vírus está em pico. Cientificamente ficou comprovado que a melhor forma de prevenção é o distanciamento social. Ou seja, esteja com as pessoas, no mesmo ambiente, mas mantenha distância de dois metros. A transmissão é por contato, até metro e meio de distância, e não pelo ar. Já parou para pensar como é ver pessoas queridas e não poder abraçá-las? Namorar uma pessoa e não poder beijá-la? Me peguei triste no final da tarde de uma sexta-feira ao imaginar ir ao aniversário de meu priminho e não poder enchê-lo de beijinhos e fazer cócegas para ver e ouvi...

Mulher

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Pensei mil formas de começar este texto e não achei nenhuma que representasse o que eu quero falar. Parece estranho, mas isso aconteceu porque muita gente já escreveu e definiu o que é ser mulher, o que nós sentimos, o que representamos, a nossa importância e por aí vai. Mas, depois de tantas palavras bonitas, profundas e representativas, o que delas realmente foi feito? Apesar dos textos verdadeiros e emocionantes, não seria, além de uma homenagem, uma forma de enquadrar novamente em padrões? Não os mesmos de antes, mas novos padrões que são criados de tempos em tempos, seguindo a nossa necessidade humana de sempre definir conceitos, comportamentos, padrões e, consequentemente, criar julgamentos. Bom mesmo seria se a gente pudesse ser só a gente: ser e fazer o que dá na telha, desde que isso não invadisse o direito e não desrespeitasse o outro. Amo ser mulher, de fato há um botão de um feeling ligado na gente que faz toda diferença. Mas, o mais legal mesmo é conseguir ser livre...

Reconhecimento

Olhar para alguém e não reconhecer com quem esteve por toda a vida, mesmo sabendo que aquela à sua frente é exatamente a mesma pessoa, é daquelas dores longevas: você sofre um pouco a cada dia, fica confuso, sem saber como lidar. O caminho até a aceitação é tortuoso. Das peças que a vida nos prega essa é uma delas: quase todos que vivem muito tempo passam por esse processo. O não reconhecimentos é como uma bola de neve. O idoso não se reconhece naquela situação de fragilidade, de dependência. Difícil aceitar que a própria vida já não é mais assunto só dele e que não tem mais autonomia. Isso leva a uma reação difícil de lidar no dia a dia. A criança teima para aprendizado, por não saber o que vem depois. O idoso teima porque sabe o que pode vir , na cabeça dele tem experiência suficiente para decidir o que está disposto a bancar. Mas, ele já não é aquele adulto responsável por seus próprios atos, a realidade não o permite mais bancar suas próprias decisões. Existem vários “não pode”...