PRAZER, Robô!
“Pane no sistema, alguém me desconfigurou. Aonde estão meu olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido. Eu sempre achei que era vivo.” O dom do artista diferenciado é ter sensibilidade. Para entender daquilo que é natureza humana e, com isso, ser sempre atual, como quem adivinha aquilo que está por vir. O ano era 2003, início de uma nova hierarquia no país, e Pitty parecia prever os então longínquos anos 2020. Previa, na verdade, a década de 10, onde robots fabricariam notícias, seriam números no lugar de pessoas, decidiriam eleições e ainda teriam a habilidade da lavagem cerebral. Cenário difícil de imaginar para um simples cidadão do início do milênio 2000. Em 2020 alguns levaram um choque do mais poderoso que existe: triste realidade. Até os haters da roqueira baiana e de toda anarquia ao sistema precisam admitir, deu pane no sistema. Os robôs estão indignadamente vitimizados: não sabiam, não tinham percebido. Sempre acharam que eram vivos.