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Mostrando postagens de abril, 2020

PRAZER, Robô!

“Pane no sistema, alguém me desconfigurou. Aonde estão meu olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido. Eu sempre achei que era vivo.” O dom do artista diferenciado é ter sensibilidade. Para entender daquilo que é natureza humana e, com isso, ser sempre atual, como quem adivinha aquilo que está por vir. O ano era 2003, início de uma nova hierarquia no país, e Pitty parecia prever os então longínquos anos 2020. Previa, na verdade, a década de 10, onde robots fabricariam notícias, seriam números no lugar de pessoas, decidiriam eleições e ainda teriam a habilidade da lavagem cerebral. Cenário difícil de imaginar para um simples cidadão do início do milênio 2000. Em 2020 alguns levaram um choque do mais poderoso que existe: triste realidade. Até os haters da roqueira baiana e de toda anarquia ao sistema precisam admitir, deu pane no sistema. Os robôs estão indignadamente vitimizados: não sabiam, não tinham percebido. Sempre acharam que eram vivos. 

Momento Legião

Se pudesse escolher um trecho de música para representar o que tenho sentido seria “Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho todo tempo. Temos todo tempo do mundo”, da Legião Urbana. Todos os dias quando acordo uma ansiedade toma conta. A angústia de quem espera uma notícia por algo diferente. Tenho todo o tempo do mundo. Faço orações, atividades físicas, estudo espanhol, marketing digital, descubro um novo mundo. E isso demora o dia inteiro, mas não preenche e, entre uma atividade e outra, pausa para a ansiedade, para a olhada frenética no celular esperando pelas notícias, a angústia de tempos perdidos. É assim até a hora de dormir. A apreensão de quem passa para o próximo dia. De quem vai dormir na expectativa de acordar no dia seguinte e a vida acontecer. “Todos os dias antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia.” É certo que na mensuração subjetiva de nosso mundo particular, “temos todos tempo do mundo… “ E ainda que obrigados a parar, c...

LIVRE COMO UM PÁSSARO

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Essa expressão, livre como um pássaro, chega aos nossos ouvidos junto com a sensação da liberdade de um voo sem barreiras à nossa imaginação! Os pássaros voam de acordo com as necessidades, com o vento, sem muitas complicações. Os pássaros não têm um monte de motivos próprios, que os prendam, como nós temos. Que liberdade! Um fetiche aos seres humanos, que incapacitados de serem livres, tentam ao menos ter o poder sobre essa liberdade e engaiolam o pássaro. Ele vira parte da decoração, dos prazeres. Alpiste, algumas flores e aguinha alimentam o ego humano de achar que aquilo compra a liberdade do pássaro. Há ainda os que, por garantia, cortam as asas do pássaro, para que ele fique ainda mais dependente. Mas, veja só como a vida é engraçada e é a metáfora dela mesma. Uma crise - a pandemia do Coronavírus, que atingiu a toda humanidade - assim como a crise do Serhumano atinge aos pássaros - nos obrigou o engaiolamento. Hoje somos nós os passarinhos e apreciamos a liberdade por entr...

Capaz de tudo

E ainda que fôssemos capazes de tudo aquilo que falamos que somos quando estamos apaixonados, o seríamos em apenas uma, duas atitudes. O ser humano tem algo muito peculiar, que é ter um limite para sair da sua zona de conforto, sua doação tem limites. Aqueles que conseguem ultrapassar isso de uma forma mais constante tornam-se santos: Dulce dos pobres, Tereza de Calcutá e por aí vai. Em outras religiões tornam-se pessoas com outros títulos e essa mesma equivalência. Contudo, nenhum deles chega ao nível de paixão que Jesus chegou por nós. A cruz foi a representação da paixão de Cristo, mas ele foi capaz de tudo. De não nutrir todos os sentimentos ruins como mágoa e desejo de ter algo do próximo, característicos do ser humano. De realizar milagres, desde a multiplicação à ressureição. De viver única e exclusivamente para explicar o amor de Deus. Ninguém explica Deus, nenhum ser humano, só Jesus foi capaz disto. Aquele que veio ao mundo na figura humana para que vivêssemos, ao máxim...

O labirinto das portas

Quando uma porta bate, silêncio. O vazio que comunica mais do que mil palavras. A cada porta que se fecha, um ciclo que se encerra. Dentro do cômodo da porta fechada, conte algum tempo e abra a próxima porta. Mas, antes leia o aviso: a porta que se abre é um portal e te levará por muitas outras portas abertas. A imaginação traz soluções e o enigma do labirinto das portas, que é a expansão. De ideias, de pensamentos, de soluções. Porém, para cada porta que se abre em uma ideia, em um pensamento, em outra solução, outra se fecha. O enigma do labirinto das portas traz com ele a charada das decisões. Mate a charada, ache as entradas, feche as portas certas. Por fim, saia do labirinto. Enquanto estiver nele, cada vez que abrir muitas portas de uma só vez se sentirá confuso, perdido, sem saber por onde ir. Feche os olhos, respire, volte ao quarto. Respire de novo, volte ao labirinto. Teste um pouquinho das entradas das portas, intuitivamente. Vá devagar, construa seu caminho até a saíd...

Estranho

Que estranho. Teoricamente teria muita coisa a falar, mas em meio ao branco que um choque grande dá, fiquei sem palavras. Estranho agir no automático, estranho não poder planejar muita coisa além daquilo que é possível fazer dentro do cercadinho de casa. Planejar o dia: um monte de atividade tirada da cartola para dentro dos metros quadrados do seu redor. Estranho mesmo nisso tudo, no limitante espacial que é um confinamento, ser obrigado ou levado a abrir tanto as portas da área sem tamanho que é a nossa cabeça. Estranho e bem vindo o reinventar e expandir mesmo dentro de pouco espaço. Saber aproveitar a impossibilidade de levar a tão querida vida normal para abrir novas portas, descobrir outros horizontes, aprender. Estranho que passamos a maior parte do ano sonhando com o período do descanso, de poder fazer nada sem se preocupar com a hora, ou poder se dedicar a um desejo que nunca tivemos tempo de realizar. Estranho que quando essa situação vem sem nem a gente pedir incomoda mu...