Estranho
Que estranho. Teoricamente teria muita coisa a falar, mas em meio ao branco que um choque grande dá, fiquei sem palavras. Estranho agir no automático, estranho não poder planejar muita coisa além daquilo que é possível fazer dentro do cercadinho de casa. Planejar o dia: um monte de atividade tirada da cartola para dentro dos metros quadrados do seu redor. Estranho mesmo nisso tudo, no limitante espacial que é um confinamento, ser obrigado ou levado a abrir tanto as portas da área sem tamanho que é a nossa cabeça. Estranho e bem vindo o reinventar e expandir mesmo dentro de pouco espaço. Saber aproveitar a impossibilidade de levar a tão querida vida normal para abrir novas portas, descobrir outros horizontes, aprender. Estranho que passamos a maior parte do ano sonhando com o período do descanso, de poder fazer nada sem se preocupar com a hora, ou poder se dedicar a um desejo que nunca tivemos tempo de realizar. Estranho que quando essa situação vem sem nem a gente pedir incomoda muito. E todos os dias a gente pede de volta a falta de tempo. Estranho como o ser humano é ambiguamente estranho. Estranho como nós somos estranhamente inovadores, adaptáveis e estranhamente buscadores de felicidade, seja qual situação for. Estranho, ainda bem!
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