Corona, vírus do distanciamento


pessoa olhando o movimento da rua pela janela
Imagine uma criança insegura ao ver tudo ficar deserto e os comportamentos mudarem. Agora imagine ela perceber uma situação grave, começar a chorar, correr de vez - como de costume - para os braços da mãe e não ser acolhida. Ser barrada do abraço, não receber a cura do conforto maternal. Eu mesma senti uma angústia enorme ao imaginar essa cena e mais ainda ao pensar que essa é a realidade de muita gente hoje nos países onde o corona vírus está em pico. Cientificamente ficou comprovado que a melhor forma de prevenção é o distanciamento social. Ou seja, esteja com as pessoas, no mesmo ambiente, mas mantenha distância de dois metros. A transmissão é por contato, até metro e meio de distância, e não pelo ar. Já parou para pensar como é ver pessoas queridas e não poder abraçá-las? Namorar uma pessoa e não poder beijá-la? Me peguei triste no final da tarde de uma sexta-feira ao imaginar ir ao aniversário de meu priminho e não poder enchê-lo de beijinhos e fazer cócegas para ver e ouvir aquela risada gostosa que acalenta. O vírus é menos violento em sua fisiologia do que o nosso desespero. Mas, ele é destrutivo naquilo que temos de mais precioso entre as pessoas, o afeto em sua demonstração mais forte: os gestos, em especial os de carinho. Que falta fará um abraço. 

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