FUGA

As palavras sumiram. Ontem sonhei com elas. Em meio ao mergulho mental, um lastro de consciência e um sorriso no rosto que, dormindo, vi como se estivesse acordada. Quase com os olhos abertos pensei: já sei o que escrever amanhã. E mergulhei de volta na viagem profunda que descansa o corpo. A única em que não é preciso carro, avião, ônibus, dinheiro e nem preocupação. Mas, é a única também que o viajante não tem opção de escolha no destino. E ele, segurem os cintos viajantes, é o mais inesperado possível! É o mais interno e esclarecedor também. E apesar de não ter escolha, você nem sabia que você é o único que pode, de fato, saber este destino com antecedência, afinal as informações dele foram gravadas em seu subconsciente muito tempo antes. E se estão ali, são importantes. Por um motivo ou por um acaso. Eis que a manhã chegou, os olhos abriram, a barriga encheu e num movimento automático sentei em frente ao computador. “Aahhh, hora de produzir! Que hora mais gostosa!” Abro as notas e… Houve uma fuga na prisão. Durante a viagem os prisioneiros fugiram. Simplesmente porque são palavras e elas andam ao vento. Se você pensa, abre as portas para elas saírem da prisão do pensamento e flutuarem livres por aí, no ar! Ou você as registra, ou há fuga! E triste da mente que não deixa suas palavras voarem, elas ficam amarrotadas em uma cela superlotada e não dão espaço para mais nenhuma meliante entrar. Só vale ficar para sempre presa palavra especial, que funciona em equipe e muda rumos. O resto, pode ir! Fuja e abra espaço na minha caixola!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

VESTIR

PASSEI DOS 30

AM(D)OR