TERAPIA
Quantas vezes pensei o que falaria no divan, elaborei o raciocínio, coloquei as dúvidas e automaticamente, conhecendo bem o perfil da terapeuta, imaginei as respostas que teria. E essa alusão (ou seria ilusão?!) de estar no divã dissiparam os pensamentos angustiados da cabeça. Auto terapia, uma loucura, mas que serve pelos próximos 30 minutos, ao menos. Que falta faz um divã real, não o imaginário. E que falta faz ouvir a terapeuta de verdade, não a lembrança dela. Enquanto não é possível deitar-me de frente para a parede branca, rodeada do cheiro de livros e madeira, busco a terapia em outros lugares. Ainda que ao fim da distração, a onda volte e a ansiedade perdure. O que seria essa capacidade de se “auto-terapizar” com a participação ilusoriamente ativa de uma terceira pessoa?! Necessidade de terapia, Deliriun - termo técnico médico - derivado de isolamento prolongados, ou devaneios de um tempo sem eira nem beira?!
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