Choro ciclo da vida
O bebê chora, o coração de quem ouve acelera. A angústia por entender o que ele está sentindo. Seria tão mais fácil se falasse. Um chameguinho, um sorrisinho, um calorzinho no coração. Mas, o bebê chorou de novo, mamou. Chorou, remedinhos para cólica, chorou, soninho, passou. O bebê chorou, olha os dentinhos! Aos poucos o bebê deixa de chorar e suas necessidades são verbalizadas. O tempo passa, pais e filhos dialogam. No início apenas a obediência, mas para tudo há uma explicação. Depois, na adolescência, a contestação. Nossa, que chateação tanta discordância, tanta insistência! Mais um tempo passado e os embates tornam-se conselhos, apoios, divergências que resultam apenas em opiniões diferentes. Já não há mais o espaço para as ordens, apenas o respeito por um passado de abdicação e amor. Então, os pais viram expectadores da vida dos filhos. Aconselham, torcem, festejam, lamentam. Até que um dia, de repente… Tudo para. Inesperadamente, o choro de quem um dia acalentou. Dessa vez, o ser frágil e dependente fala, é experiente e, por isso, Sábio. Não estava preparado para aquilo, aquela inversão de papéis, ser cuidado como se bebê fosse por quem um dia cuidou. E na sua negação da própria condição, o não aceitar a perda do controle, a teimosia aparece. A pirraça, o fazer o que quer, mesmo que não seja bom, só pra dizer que ainda está ali no controle da sua própria vida. Um chameguinho já não resolve. Depois de muita insistência, finalmente a aceitação, mas ela vem acompanhada da tristeza de quem realiza que pouco tempo te resta. Cuidador e cuidado estão fragilizados. Ao contrário do início onde cada detalhe era uma conquista, agora cada perda uma tristeza. Que ironia da vida, tudo começa e termina no choro.
O choro faz parte da vida!
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